As ilhas Fiji (ou Fidji), constituem um país da Oceania, localizado no sul do oceano pacífico e que tem como sua capital a ilha de Suva. As ilhas Vanua Levu e Viti Levu, as principais do arquipélago de Fiji, foram descobertas em 1643 pelo navegador holandês Abel Tasman. As outras ilhotas que compõem o arquipélago foram descobertas no século seguinte pelo explorador inglês James Cook.Tavarua é mais uma ilha desse arquipélago e pode-se dar a volta andando em menos de 30 minutos. Cercada por imensas bancadas de corais e canais marítimos, a ilha possui areia branca e águas cristalinas.

O paraíso. Foto: Scott Winer
Tavarua foi descoberta nos anos 80 por um surfista que trabalhava como professor nas ilhas Fiji. No dia do seu descobrimento “surfístico”, o mar estava flat. Olhando o desenho da bancada, o astuto professor soube que era só uma questão de tempo até as ondas aparecerem. Assim ele ficou acampado na praia até acordar um dia e deslumbrar-se com esquerdas de 6 pés rodando sobre a rasa bancada de coral em cilindros perfeitos e que estendiam-se por mais de 150 mts.

Foto: Scott Winer
Diante disso, a idéia de um local para desfrutar dessas ondas a longo prazo foi uma questão de tubos. O professor entrou em contato com as autoridades locais e descobriu que a ilha pertencia a vila de Tavarua, ou seja, ao povo de Tavarua. Desde então o paraíso tem esse nome. Mas a coisa não ficou por aí, em um outro grande swell descobriu-se uma direita do outro lado da ilha, que fica perfeita na maré certa. E mais, avistou-se uma bancada em alto mar que veio a ser apelidada de Cloudbreak. Esta quebrava maior, com potência havaiana e muito mais constante que Restaurants, como foi apelidada a esquerda em frente do restaurante do então formado surf camp.

Jamie O'brien. Foto: Scott Winer
A bancada da onda de Restaurants é muito perfeita, rodeando a ilha e acabando em um canal. A onda é rasa e o coral super afiado. Já Cloudbreak é uma bancada oceânica, grande e poderosa, sendo que o inside fica super raso e não é difícil raspar o bico da prancha durante um joelhinho. Acima de 6 pés, Cloudbreak fica uma onda bem difícil, exigindo bastante habilidade do surfista pois as vezes o único caminho é por dentro do tubo. A direita quando está funcionando é uma onda rápida mas com um tubo largo e termina em um canal fundo e tranqüilo. Outro fator determinante por lá são as correntes. Dependendo da maré, estas podem ser um pesadelo, pois o volume de água sob os corais é grande , e qualquer descuido perde-se a referência do pico e de terra firme.Inicialmente o surf camp era bastante rústico, provido somente de pequenos bangalôs com chuveiro do lado de fora. Água era, e ainda é, coletada da chuva, pois chove bastante neste paraíso tropical e isso faz dela um bem muito precioso.

Foto: Scott Winer
Atualmente as instalações estão muito diferentes e todos os bangalôs tem banheiro privativo, ventiladores de teto e telas nas janelas. Todos ainda chamam as acomodações de surf camp, mas na verdade trata-se de um hotel de nível Resort. Ao lado do restaurante ficam uma piscina e uma jacuzzi, ambas de água salgada. A curtição ao sair do mar fica garantida. É só cair na jacuzzi e pedir uma Fiji Bier (cerveja local) a um dos funcionários do hotel.Provavelmente este funcionário, assim como todo povo de Tavarua, é chefiado por um fijiano grande e sorridente chamado Druco. Porém não se deixe enganar por sorrisos fora de Tavarua, os fijianos formavam uma tribo canibal até bem pouco tempo atrás.

Foto: Scott Winer
O povo de Tavarua vive da renda da exploração do Resort, e muitos deles trabalham também lá. Sempre amáveis, todos por lá adoram brasileiros pelo nosso jeito extrovertido e brincalhão, muito parecido com o deles. Segundo o governo de Fiji, os direitos de pesca sobre a bancada de coral de Cloudbreak também pertencem ao povo de Tavarua, portanto exclusivos ao Tavarua Surf Resort.Em frente à Tavarua existe uma ilhota ainda menor, chamada de Namotu. Esta também tem altas ondas e um surf camp. A relação comercial entre as duas delimita algumas regras. Os hóspedes de Namotu não podem surfar as ondas de Tavarua e vice versa.
Por ocasião de eventos WCT em Cloudbreak ou Restaurants, competidores e organização hospedam-se também em Namotu e a regra abre uma exceção para os melhores surfistas do mundo. E foi neste paraíso que a equipe da Rusty reuniu atletas, amigos e funcionários para uma confraternização muito especial regada a muitos tubos! Este ano tivemos a presença de Jamie O’brien, Josh Kerr, Kalani Chapman, Nate Yomans, Kawika Stillwel, pessoas que trabalham na Rusty, shapers e alguns fotógrafos.
É uma forma de confraternizar pessoas que passam o ano todo se comunicando por e-mail e telefone e que de uma forma ou de outra decidem o futuro da empresa.Este ano fomos abençoados por uma ondulação que chegou a 12 pés em Cloudbreak e proporcionou ondas de sonho na bancada de Restaurants que nessas condições quebra em torno de 6 a 7 pés. Sem falar nas direitas que quebraram com sólidos 6 pés e tubos quadrados. Isso tudo resultou em um verdadeiro show de surf. Os havaianos sentiam-se em casa nas ondas tubulares e potentes. Jamie O’brien insistia em entubar de backside e sair do tubo de frontside, base trocada. Kalani Chapman fazia drops insanos, como se aquilo fosse um treino para Pipeline, surfando ondas grandes com pranchas bem pequenas, chegando a usar uma 5′11” em ondas de mais de 2 metros de altura. Josh Kerr, com um surf embalado pelo WCT, surfou de todas as maneiras, pegou tubos muito profundos e executou seus truques aéreos que só estando lá para acreditar que manobras como aquelas são possíveis. Kawika Stillwel mostrou sua estirpe havaiana com um posicionamento perfeito dentro dos tubos, apesar de estar recuperando-se de uma lesão do joelho direito. Nate Yomans fez um surf que surpreendeu a todos, forte, bem posicionado nos tubos e com um misto de manobras modernas.









