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Home > 29 | Materia > Publicado em 15 de novembro de 2008

O bom e velho estilo

Em um encontro raro, para ficar para a história, Mestre e Aprendiz estiveram frente a frente no Desafio Brasil x EUA, que aconteceu neste mês, na Praia de Maresias, litoral norte de SP. Como em qualquer esporte, o surfe também evoluiu. As manobras se tornaram mais “agressivas” e os aéreos estão em alta. Mas, quem tem estilo, sempre terá. É como um dom. E isto, Tom e Fabinho, que hoje é o “Mestre” de muitos surfistas da nova geração, tem de sobra.

Se corressem o Tour Mundial atualmente, poderiam não se dar tão bem, mas, é unânime, quando entram na água, é a certeza de um espetáculo. Fabinho não esconde a grande admiração pelo surfe e estilo do mestre Tom Curren. Por outro lado, Tom se diz satisfeito por ter influenciado um surfista que admira muito pelo caráter e personalidade. Aproveitando esse encontro a Blackwater fez uma pequena entrevista com estas lendas do esporte. De um lado, o mestre. Do outro, o aprendiz. Em comum, a arte de transformar o surfe em espetáculo.

Tom Curren. Foto: Minduim

Tom Curren. Foto: Minduim

Tom Curren – O MESTRE 44 anos, tricampeão mundial (85/86/90) e uma das lendas vivas do esporte. Considerado, por muitos, o maior surfista de todos os tempos. Dono de um estilo único, de um surfe clássico e ao mesmo tempo arrojado. Quando entra na água, transforma o surfe em arte. Fora do mar, é apenas um cara tímido, calado, que gosta de música e de ficar sozinho.

Como é ser considerado um dos maiores ídolos do surfe mundial? Às vezes penso nisso. É muito responsabilidade. Sei que muitas pessoas me têm como exemplo e por isso, além do surfe, me preocupo em passar valores. Tratar todos com respeito e agir sempre de forma correta.

E quais são os seus ídolos? Wayne “Rabbit” Bartholomew, Gerry Lopez e Mark Richards são alguns deles.

Foto: Caio Guedes

Foto: Caio Guedes

O que o surfe representa para você? É a minha vida. Estou sempre na praia. Me considero um cara privilegiado em poder fazer parte deste mundo. Espero surfar até não poder mais.

O que gosta de fazer quando não está surfando? Tocar música e ficar com a minha família.

Você gosta de surfar sozinho? Gosto. Mas, ultimamente tenho surfado bastante com os meus filhos e tem sido muito bom….

Fabinho Gouveia – O APRENDIZ 39 anos, referência do surfe nacional e grande ídolo do esporte. Primeiro representante do país na elite do surfe mundial (WCT), campeão do WQS 98 e bicampeão brasileiro (98 e 05). Como Tom, é dono de um dos estilos mais bonitos do surfe. A harmonia com a onda e plasticidade de suas manobras impressiona a todos. Fora d’água, é um “menino”brincalhão, de bem com a vida e feliz. Quando se fala na história do surfe nacional, se fala em Fabinho Gouveia.

Foto: Clemente Coutinho

Foto: Clemente Coutinho

Como você se sente em fazer parte disto tudo? Acho que começamos (eu e Teco) em uma época em que o surfe brasileiro estava meio sem rumo, sem perspectivas. Não crescia…E de repente, estávamos ali, entre os principais surfistas do mundo e conseguindo bons resultados. Era a nova geração com sede de vitória, mas sem a pressão nas costas. E aí, as coisas foram acontecendo, acontecendo e acontecendo…. E saber que abrimos as portas lá fora e que somos inspiração para novos surfistas é muito gratificante. E exatamente por isso, devemos dar o exemplo sempre. Não só no mar, mas principalmente fora.

Você, como o Tom Curren, é considerado um dos mestres do estilo. Os dois têm uma linha muito parecida. O que o surfe dele influenciou no seu? É até engraçado. Comecei a surfar com os atletas do Ceará, como Odalto Castro e César Picureia, e aprendi muito com eles. Só que o estilo do Tom Curren sempre me impressionou. Ficava assistindo ele nas competições, em vídeos e tentando me adaptar a linha dele. Só que no ínicio foi bem difícil. Minha base na prancha era totalmente diferente da dele. E mudar é complicado. Mas, fui percebendo que quando eu me posicionava que nem ele, conseguia manter uma linha melhor e mais fluída. E foi assim que fui me aprimorando e criando o meu próprio estilo. Surfistas como Dada Figueiredo, Felipe Dantas e Richard Krame também foram referências.

Foto: Clemente Coutinho

Foto: Clemente Coutinho

Você acha que para ser um surfista ser reconhecido é preciso estar no Tour Mundial? Antigamente estar no Tour era realmente o que importava. Hoje já não é mais assim. O esporte cresceu muito e o mercado do surfe também. São muitos os free surfers que vivem viajando o mundo e fazendo vídeos, photoshooting …E que surfam também bem ou até melhor do que outros que correm o Tour. É questão de escolha e foco também.

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