Considerado um dos maiores ídolos dos esportes radicais do mundo, o skatista Bob Burniquist esteve no Rio no início do mês para a disputa do Vert Jam, etapa do mundial de skate vertical, que reuniu mais de duas mil pessoas na Lagoa Rodrigo de Freitas. E aproveitando sua estadia na cidade maravilhosa, a Blackwater bateu um papo com o atleta. Sempre inovador, Bob, que entre uma competição e outra, gosta de se arriscar nas ondas, falou um pouco sobre a evolução dos esportes de prancha.
Existe um limite para a evolução dos esportes de prancha?
Eu vou te responder assim: Existe um limite para a evolução humana? Não…Então não existe um limite para esta evolução. O skate é um “reflexo” do ser humano e tem muito o que crescer. Tanto o skate, como qualquer outro esporte (surfe, Snowboard, wakeboard…) ainda
tem muito para onde crescer. Claro, cada um com um certo direcionamento. Nas ondas, o Laird Haminton levou para o tow-in, um surfe
que ninguém imaginou ser possível. No snow, rolou uma evolução impressionante com giros, amplitude e velocidade. O Skate técnico
com muitos giros também. E agora a mega rampa, que pode ainda evoluir para corrimãos. Não tem limite. Essa é a beleza dos
esportes radicais.
Na sua opinião, qual destes esportes mais evoluiu?
Eu acredito que o skate tem evoluído mais por estar livre do pé. O surfe também está livre do pé, mas preso a condições locais. Eu tenho acompanhado o surfe, que está cheio de aéreos, muito mais veloz, mas a rapidez com que o skate tem crescido é impressionante. E o fato de não dependermos das condições da natureza é fundamental para isto. Em um ano, a evolução foi enorme.

“Eu adoraria pegar um tubo em Pipe, mas acho que isto não é uma realidade para mim. Quem sabe em outra vida?”
Depois da Mega rampa, para onde o skate vai crescer?
Não necessariamente a evolução quer dizer cada vez maior. Até porque existe um limite corporal. O que não tem limite é a criatividade humana. Numa mega rampa, por exemplo, tem muitas manobras que ainda não foram feitas, tanto no quarterpiper como no salto. Tem corrimões também que podem ser usados. E até já foram construídos. Eu mesmo já andei… Enfim, tem muita coisa pela frente… Nos últimos três anos tenho filmado quase todos os dias (todas as manobras), que vai sair até num filme. E a galera vai ver, pelo menos o que eu evolui na megarampa. Então, é ili-mitado. E o que eu puder fazer para criar para os brasileiros presenciarem ao vivo, eu vou fazer.
E o equipamento da Mega, é igual ao das outras modalidades?
Não, é diferente. No street, é um skate menor, mais leve, eixo, roda…No vertical, você já aumenta um pouco para dar estabilidade. É igual no surfe. De acordo com as condições do mar, você precisa de um tamanho ou espessura de prancha diferente. E na mega também não é diferente. O eixo e shape são maiores, eu só não mudo de roda.
O surf com duas bases pode se tornar uma tendência?
No snow, por exemplo, é mais fácil você aprender a andar de switch. O legal da base invertida é que abre cada vez mais o leque de evolução. Porque você aprende a andar de skate ou a surfar de novo. As manobras que você sabe fazer normalmente, se você aprender de switch, é nova pra você. É mais difícil, o desafio é maior, mas eu acho que é por isso que é legal. Eu recentemente estava surfando e pela primeira vez consegui subir na prancha de switch. É mais difícil e isso que me fascinou. Já vi o Kelly pegar altos tubos assim. E é importante, é um crescimento, não só para o skate, mas para todos os esportes de prancha.
Como é o Bob surfista?
Ah, o Bob surfista é um cara que se diverte muito pegando onda. Eu já tive alguns convites para participar de campeonatos de surfe, mas prefiro deixar o surfe fora da competição. Quando estou na água é diversão pura. É aquela leveza, energia boa. Você não sabe o que pode acontecer. Cada onda é diferente; é um novo desafio. Eu tenho asma, então estar nadando é muito bom, trabalhar o lado do pânico também. E acho que até por eu surfar, um ando de skate com uma fluidez diferente.
O Tow-in está para o surfe como a Mega rampa para o skate?
Eu acho que é um paralelo que pode ser traçar sim. Ou melhor, é o desafio, o novo, que levou alguém, no caso, o Laird a pensar diferente. Tentar transformar algo em possível e correr atrás. E assim, abrir portas para outras pessoas começarem a praticar, como aconteceu na mega. Acredito que a mega e o tow-in tem algo muito parecido.
Como o skate influencia o surfe?
É engraçado porque o skate veio do surfe e antigamente a influência era contrária. Hoje, muitas manobras do skate são levadas para dentro do mar.Por que? Nós temos pista de vertical, onde podemos dar aéreo, tirar o corpo, dar flips. E os surfistas vêem e querem fazer também. Mesma coisa no snowboard, tanto que muitos profissionais quando vêem, querem aprender. Antigamente eram “tribos” diferentes. Você andava de skate e ponto. Hoje não, é um aprendendo com o outro.
Me lembro que tinha um cara que andava de skate com a gente e ele escondia que surfava. Quando soubemos, zoamos muito ele… E hoje em dia não tem essa, todo mudo tem o direito de fazer o que quiser; Inclusive, acho que a sua é até um skatista melhor.
As competições de skate estão se tornando cada vez mais espetáculos para o público. Você vê alguma fórmula em que os campeonatos de surfe possam alcançar esse contato mais direto com a platéia?
Acho que a grande dificuldade do surfe é o mar, porque ele é um dos astros principais. É conseguir encontrar um lugar com condições clássicas e ao mesmo tempo com público. E é difícil poder marcar uma hora certa para a competição. Pode ser que o mar esteja flat, não esteja legal…E são situações inerentes ao esporte. E no Skate você pode montar a pista, fazer um cronograma… Como vai fazer o evento em Tavarua? Colocar o público no barco?
Acho que Pipe é um dos lugares com mais potencial para isto. E aí também quando acontece, com condições perfeitas, não tem igual. É um espetáculo que conquista qualquer pessoa.
Qual a onda dos seus sonhos?
Eu adoraria pegar um tubo em Pipe, mas acho que isto não é uma realidade para mim. Quem sabe em outra vida? Mas, queria fazer uma viagem para Indonésia, Tavarua… Nossa, tem tantos lugares… Um dia eu vou ter tempo para deixar o “skate” um pouco de lado e fazer uma viagem só para surfar.
Existe um limite para a evolução humana?
Não…Então não existe um limite para a evolução dos esportes de prancha
Texto: Camila Coimbra, Fotos: Fabio Minduim











