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Home > 34 | Materia > Publicado em 29 de abril de 2009

Swell de páscoa

Os ovos de páscoa com surpresa são os melhores. Nunca se sabe o que vai vir dentro. A sensação de saborear algo que, há pouco tempo atrás, você não fazia idéia do que fosse é muito boa, mas também pode ser amarga quando a surpresa não agrada. As grandes ondulações no Brasil são como esses chocolates, nunca se sabe ao certo como o mar vai ficar; aonde e quando vão quebrar as melhores ondas. Por mais precisa e competente que seja a previsão, o “confere” é sempre uma surpresa, e se torna quase inevitável a escala em vários picos até achar a opção certa.

Nessa Páscoa, o surfista brasileiro ganhou de presente uma consistente ondulação de sul que durou o feriado inteiro. Só que quem quis saborear essas condições, precisou correr atrás do pico certo. E a surpresa nem sempre foi agradável. A mudança rápida no tamanho das ondas combinada com a grande variação de maré registrada nesses dias contribuíram para que o mar ficasse totalmente imprevisível. A Blackwater, de plantão durante o feriado, mostra três lugares distintos que, em algum momento, apresentaram boas condições e presentearam quem estava lá com altas ondas.

ITACOATIARA

Um dos cartões de visita de Itacoatiara. Bruno Santos bomba na cabeça! Foto: Camarão

Um dos cartões de visita de Itacoatiara. Bruno Santos bomba na cabeça! Foto: Camarão

Itacoatiara, mais uma vez, foi um dos poucos lugares que “segurou a onda” durante todo o swell. Desde tubos perfeitos quebrando pros dois lados até as fechadeiras gigantes para ganhar prêmio, teve de tudo no pico. “O mar ficou gigante no sabádo. Acabei só indo surfar a tarde, mas foi quando subiu mais ainda. Na hora de entrar já percebi que estava muito grande, como poucas vezes ví, e quase tomei uma série antes de varar. Entrei com minha maior prancha, uma 7′6”, e acabei só pegando uma onda. Além de muito balançado e difícil, estava bem no fim da tarde já. Logo que saí o Marcelo Pedro (bodyboarder) passou um perrengue depois de perder a prancha e acabou saindo de helicóptero, outros dois que ficaram na água foram varridos por uma das maiores séries que entraram no dia e saíram de helicóptero também. Segunda-feira subiu de novo, e muito rápido. Pela manhã tinha um metro bem buraco, mas rapidamente ficou gigante de novo. Voltei pra água a tarde com o Evaristo e o mar já estava quase do mesmo tamanho que no sábado. Só que com um terral muito forte. Também estava muito difícil. O ideal seria ter um jet para um tow in. Na terça diminuiu bastante mas ficou perfeito, altas ondas no costão, tubos e manobras com água quente e azul.” relatou exclusivamente para a Blackwater Bruno Santos.

LEBLON

Essa é uma maneira bem única de comemorar a Páscoa. Jordan Almeida se jogando em uma das maiores do dia no Pontão. Foto: Minduim

Essa é uma maneira bem única de comemorar a Páscoa. Jordan Almeida se jogando em uma das maiores do dia no Pontão. Foto: Minduim

A ondulação de sul é ideal para o Pontão do Leblon, que não negou fogo. No auge do swell, até o campeão mundial de longboard Phill Rajzman apareceu para pegar umas ondas. Era tanta gente olhando o mar no calçadão que parecia mais a gravação da novela do Manoel Carlos. Nosso editor de fotografia, Fábio Minduim, registrou toda a “badalação” em seu quintal de casa. “No Sabado, logo pela manhã o mar estava pequeno com ondas de meio metro. Lá pelas dez horas as ondas começaram a subir e uma da tarde já tinha mais de dois metros nas séries. O auge foi mais pro fim de tarde, lá pelas três. Ondas em torno de oito pés quebravam no pontão do Leblon e poucos surfistas se aventuraram no mar. Durante o sábado inteiro, ondas quebraram com muita pressão e chegaram até a invadir as ruas da orla da Zona Sul. Destaque para Jordan Almeida, local do Leblon, que mostrou coragem e pegou uma das maiores ondas fotografadas até então no pico. No domingo, o mar deu uma abaixada, mas rolaram boas ondas de um metrão, fazendo a alegria da galera local”.

SHERATON

A Laje do Sheraton é um dos picos mais urbanos e menos explorados da cidade. Entre dois bairros nobres e de frente para a favela, o visual da onda é único. Foto: Blanco

A Laje do Sheraton é um dos picos mais urbanos e menos explorados da cidade. Entre dois bairros nobres e de frente para a favela, o visual da onda é único. Foto: Blanco

Comparar a baía do Sheraton com a de Waimea só mesmo pela inconstância de ambos os picos, que quebram poucas vezes no ano. A onda carioca, diferente de Waimea, é curta e quase sempre deformada em cima de uma rasa bancada de pedra. Nas condições muito certas ela emenda e corre baía adentro. Nas condições mais certas ainda a baía toda chega a fechar. Aí sim, Eddie Aikau, do mirante do Leblon, poderia pensar em pegar sua prancha.

ALPHABARRELS

Jerônimo Vargas não passou a Páscoa no Brasil, mas não pode reclamar do presente antecipado que ganhou bem em frente a sua casa. Foto: Tojal

Jerônimo Vargas não passou a Páscoa no Brasil, mas não pode reclamar do presente antecipado que ganhou bem em frente a sua casa. Foto: Tojal

No auge da ondulação o mar na Barra da Tijuca não apresentava a mínima condição, fechava tudo. Só que o mesmo pico, no dia certo, mostrou as ondas mais tubulares e perfeitas de todo o feriado. Tojal, autor das fotos e local do famoso Alfa Barra, não escondeu a felicidade que o swell de Páscoa lhe proporcionou. “Acordei com o barulho da cortina batendo na janela, eram 6h da manhã e o terral soprava intenso, como é de costume nas manhãs do outono. Quando olhei pela janela vi o que esperava durante meses. Swell sólido, com sol, tubos e vento terral. Não tem como explicar a sensação. Viajo o mundo todo em busca dessa combinação. Pego avião, ônibus, como e durmo mal, e várias vezes não acho nada nem perto do que acontece no Alfa no outono. Santa sexta-feira santa.”

Confira a galeria de fotos:

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