edições | notícias | contato

Home > 35 | Materia > Publicado em 29 de maio de 2009

Os herdeiros

O começo de tudo foi nos anos oitenta e se prolongou até os noventa. Época em que Dadá Figueiredo, David Husadel, Fábio Gouveia, Picuruta Salazar, Ricardo Toledo e Wagner Pupo se tornaram referências em surfe competição. Alguns anos e muitas ondas passados, os mesmos sobrenomes ainda são vistos nas baterias Brasil afora, mas não pense que estamos falando de um circuito master. Na atualidade, os representantes dessas famílias são jovens promessas do surfe brasileiro, os filhos dos campeões.

Mestre Gouveia em ação.

Mestre Gouveia em ação.

Filho de peixe, peixinho é! Primeiro, e mais óbvio, pensamento quando se fala em talento que passa de pai para filho. Mas não é tão simples assim, e nem somente hereditário. Para começar, o surfe deles nem sempre se assemelha com o do pai. À excessão de Matheus Toledo e Pedro Husadel todos se posicionam na prancha com base oposta à do pai. Além disso, algumas décadas os separam, marcando claramente mudanças que ocorreram no surfe, tanto em termos de manobras quanto na abordagem da onda. Resumindo: os “pivetes” mandam aéreos e rabetadas que os “velhos” não sabem nem dizer o nome.

Entre os pais, Fábio Gouveia e Wagner Pupo ainda competem profissionalmente no circuito nacional, Picuruta Salazar migrou para o longboard e corre o circuito mundial. Os outros, apesar de frequentarem com certa regularidade as categorias master, não se dedicam mais às competições como antigamente. Por outro lado, toda a prole já vem se destacando nas “categorias de base” para o surfe profissional. Ano passado, Miguel Pupo foi campeão de uma etapa do Pro Junior na França, garantindo vaga entre os melhores juniores do mundo para a final em Bali, na qual ficou em quinto lugar. Esse ano, no Mundial Junior da Isa no Equador, Miguel conseguiu a segunda colocação na principal categoria, a sub-18. Ian Gouveia também já brilhou em uma etapa de nível mundial quando, no início do ano, chegou até às quartas de final do WQS de Fer-nando de Noronha. Matheus Toledo foi papa-tudo nas categorias amadoras e em 2007 campeão do circuito profissional de Ubatuba, onde é local, quando tinha apenas dezesseis anos. Seu irmão Filipe, com quatorze, já é considerado um fenônemo devido suas performances nas competições amadoras, inclusive em categorias acima de sua idade ( mirim e junior ). Pedro Husadel atualmente reside na Califórnia e em pouco tempo já conseguiu alguns bons resultados por lá, como a primeira colocação na categoria junior em um torneio da CSF ( Christian Surfing Federation ). Dávio Figueiredo é o caçula da galera e, seguindo a tradição, é campeão da sua categoria no circuito estadual amador. Leco Salazar é um caso a parte. Um dos tops do longboard brasileiro, categoria em que a longevidade dos competidores é maior, ele está acostumado a competir junto, ou até mesmo contra, o pai. Ossos do ofício.

O sucesso prova o talento nato, mas também é consequencia de muita dedicação, o que não é genético. Tanto acompanhando o “coroa” no campeonato, quanto no momento pai e filho de descontração dentro d’água, o surfe se fez presente desde cedo na vida desses garotos; um legado deixado de pai para filho. Como conclusão: filho de peixe pode não ser peixinho, mas tem tudo para isso.

OS GOUVEIAS

O Fabuloso se preparando para passar por dentro.

O Fabuloso se preparando para passar por dentro.

Fábio Gouveia dispensa comentários. Aos trinta e nove anos, o maior ídolo do surfe nacional diz que “a gasolina ainda funciono, a alcool já nem tanto”. Se apropriando da analogia, podemos falar que seu filho Ian, de 16 anos, é movido por algum combustível de foguete ou avião. Capa da edição de fevereiro da Blackwater, ele vem se destacando no Brasil com um surfe rápido e moderno. Assim como o pai, Ian tem grande habilidade nos tubos, mas seu repertório conta também com aéreos e manobras modernas. Fabinho está, sempre que possível, acompanhando Ian, tanto em viagens como em competições: “É de suma importância os pais acompanharem os filhos no processo de aprendizagem. Porém existe um limite, uma hora eles tem que se virar sozinho. São os acompanhamentos anteriores que darão a base para as pernadas solitárias posteriores. Por isso, sempre pensei em dar o suporte para que, no futuro, eles saibam o que fazer quando tiverem as oportunidades.”

Fabio Gouveia

BW: Quando você percebeu o talento do Ian?
Fia: Desde que subiu pelas primeiras vezes na prancha.

BW: Quais as semelhanças e diferenças entre o surfe de vocês dois?
Fia: Semelhança acho que a base pra tubo e um lay back que eu sempre faço e as vezes ele executa. Nas disputas, vejo que ele permanece calmo tal como o pai. As diferenças estão na base, não só pelo fato de eu ser regular e ele goofie, mas o Ian tem a pisada mais aberta e o peso mais distribuido ao longo da prancha. Quando ele era pequeno, a base era bastante aberta, mas nem quis mexer porque sabia que com o tempo ela iria se arrumando e, além do mais, aquilo alí iria ser essencial para os aéreos e outras manobras de vanguarda.

BW: De que forma você pretende cuidar da carreira dele, caso pretenda.
Fia: A carreira dele está sendo cuidada através de nós mesmos, sem estress. Pai e mãe, Paulo Kid e Alfio Lagnado. Otoney Xavier é tambem peça importante no desenvolvimento dele. Vamos vendo as metas na medida em que ele vai evoluindo. O tempo mostra as coisas, é assim que penso no momento. E ele já está se ligando nelas sozinho, então vamos ver o que rola.

BW: Quais as principais diferenças que você percebe em termos de profissionalismo e patrocinio para os jovens atletas atualmente?
Fia: Algumas marcas valorizam e trabalham bem a imagem dos atletas. Muitas outras não. Alguns atletas procuram ter e tem postura profissional, outros muitos não. As marcas estão começando a ver que podem aproveitar os atletas a longo prazo e isso é muito positivo para o esporte. Sabe-se mais do que nunca que uma boa estrutura para o atleta é essencial. Algumas marcas pregam isso, outras muitas não. Acho que a maioria das marcas poderia dar uma melhor assistência aos atletas de todas as formas, uma melhor formação em todos os aspectos àqueles que mais precisassem, relações humanas inclusive.

O jovem Yan Gouveia voa alto mostrando toda a contemporaniedade de seu surf.

O jovem Yan Gouveia voa alto mostrando toda a contemporaniedade de seu surf.

BW: O próprio Ian já falou que ele só começou a se dedicar realmente ao surfe quando houve a mudança para Florianópolis. Quais os pontos positivos e negativos dessa mudança para ele.
Fia: Quando morávamos em Recife o Ian ainda era muito novo. Tinha o talento mas ainda não trabalhava em desevolvimento normal, pois o surfe era só em férias, fins de semana e em algumas viagens. Quando nos mudamos para Floripa, final de 2002, ele se distanciou dos corais, onde estava sendo iniciado. Mas por outro lado, as últimas temporadas havaianas e noronhenses ajudaram a suprir este quesito. A mudança para Floripa trouxe uma oportunidade de se tornar um atleta do surfe mais ligeiramente. Acho que em Recife, num futuro mais cedo ou mais tarde ele iria ingressar no surfe, mas em Floripa teve a oportunidade de estar direto na praia, surfar todos os dias e ter uma rápida evolução. Em Recife tinha que dirigir uma hora para Porto de Galinhas e por causa das aulas, ele só ia fim de semana e férias. Era um processo lento.

BW: Quem ganha a bateria atualmente, você ou ele?
Fia: Se for em marolas, ele tem levesa e as manobras aéreas e eu a experiência e a força. Nas ondas maiores, ainda está a meu favor, pois ele ainda está em plena evolução. Mas o sufe é uma caixinha de surpresa, né? kkkkkkk

OS HUSADELS

Pai e filho posam diante do quiver preparado por David Husadel

Pai e filho posam diante do quiver preparado por David Husadel

É impossível falar da história do surfe catarinense sem falar em David Husadel. Tricampeão estadual, campeão brasileiro em 86 ( antes da criação da ABRASP ) e top 16 da ABRASP de 87 até 92, David ganhou evidência na mídia no final dos anos oitenta, se tornando, na época, o maior expoente do surfe de Santa Catarina. Hoje em dia, aos 46 anos, ele continua na ativa, ou surfando, ou como empresário, ou acompanhando a carreira de seu filho Pedro,16 anos. O garoto, ao contrário da maioria dos herdeiros, começou a se destacar nas competições há pouco tempo. Foi aí que a experiência do pai fez diferença, pois teve a paciência necessária por saber que os bons resultados viriam naturalmente.

Pedro Husadel seguindo os passos do pai.

Pedro Husadel seguindo os passos do pai.

BW: Qual a influência do seu pai no seu surfe?
Ph: A influência do meu pai é muita. Primeiro se não fosse ele talvez eu nem surfasse porque ele que me ensinou quase tudo que eu sei. Tanto no surfe quanto na vida.

BW: Quais os pontos positivos e negativos de carregar um sobrenome de peso?
Ph: Os pontos positivos são quando eu vou em lugares que eu nunca fui e pessoas locais vem e conversam comigo porque conheceram o meu pai no passado. Assim eu me sinto mais confortável em lugares diferentes. Por outro lado penso que talvez de vez em quando as pessoas esperam muito de mim pelo o que meu pai foi e eu não correspondo as espectativas.

BW: Quais as vantagens e desvantagens de estar morando longe do seu pai?
Ph: As vantagens são que felizmente ele me ensinou o suficiente para me virar sozinho, no que precisar dentro d’água ou fora dela.
Desvantagem é a saudade, mas isso me faz cada dia mais forte.

BW: Quem ganha a bateria atualmente, você ou seu pai?
Ph: Nós já tivemos duas baterias juntos no circuito do campeche e felizmente eu ganhei as duas. Mas em mares realmente grandes como um Sunset, eu acho que ele leva vantagem.

David Husadel

David Husadel manobrando forte.

David Husadel manobrando forte.

Quando você percebeu o talento do seu filho?
Ele começou a gostar de surfar com 8, 9 anos. Na época eu morava no Rio e coloquei ele na escolinha de surfe do Pedro Muller e do Rico. Com 11 anos ele começou a competir no Circuito Catarinense AM, mas estava atrasado em relação ao pessoal da idade dele. Eu sempre trabalhei com ele para que ele estivesse bom entre 16 e 17 anos. E foi o que aconteceu. Com 16 ele ganhou o primeiro campeonato na Fecasurf na Open e no segundo semestre do ano passado ele fez frente em todos os Opens que competiu e dominou a Junior aqui no sul.

Quais as semelhanças e diferenças entre o seu surfe e o do seu filho?
Eu e ele somos regulares, gostamos de direitas longas e nossa abordagem nas esquerdas são parecidas, mas é claro que a radicalidade dele é muito maior.

De que forma você pretende cuidar da carreira de seu filho, caso pretenda.
Como conheço muitas pessoas do meio. Tenho trabalhado com patrocínios, mas a crise nos pegou de surpresa, tanto que ele esta sem patrocínio principal no momento. Mas trabalho bastante na assessoria de imprensa e divulgação em geral. Proporcionando aos apoiadores bom retorno.

Quais as principais diferenças que você percebe em termos de profissionalismo e patrocinio para os jovens atletas atualmente?
Atualmente o surf também entrou na era da globalização. Antigamente bastava ser campeão do estado para ter bons patrocinios, hoje é necessário ser campeão mundial para ter patrocinadores procurando você.

Quais as vantagens de poder viajar com seu filho?
Já fui duas vezes com ele ao Hawaii e foi maravilhoso, um astral unico para um pai poder surfar junto com o filho na meca do surf mundial, ele foi outra vez com Fabio Gouveia. Ele também já foi sozinho para Noronha e para o mundial da ISA em Portugal. Atualmente ele esta na California, estudando e competindo.

Quem ganha a bateria atualmente, você ou seu filho?
Em uma bateria ele ganha facil de mim atualmente, mas eu não vou dar mole. Se ele vacilar eu ganho e vou dar risada.

OS PUPOS

Wagner Pupo ainda dá muito trabalho nas competições do SuperSurf.

Wagner Pupo ainda dá muito trabalho nas competições do SuperSurf.

Wagner Pupo não tem nenhum título nacional, mas tem uma regularidade de dar inveja a um campeão. Permanecendo 16 anos entre os top 16 da ABRASP, provou que é um dos grandes no cenário competitivo brasileiro. Miguel, o mais velho de seus três filhos, já é um grande surfista, e foi diversas vezes apontado como um dos melhores juniores do mundo por grandes veículos da mídia gringa. Com 17 anos, e um surfe moderno e estiloso, está preparado para cair dentro do circuito mundial. Wagner tem mais dois filhos, Dominik e Samuel, que com apenas sete anos é apontado por muitos como um talento nato. Será de família?

Wagner Pupo
Idade 40
Quando você percebeu o talento do seu filho?
Desde pequeno quando ele começou a pegar gosto em surfar, foi natural. Sempre levei meus filhos junto comigo nos campeonatos e ele sempre presenciou eu competindo. Foi so incentivar que ele foi gostando cada vez mais.

Quais as semelhanças e diferenças entre o seu surfe e o do seu (s) filho (s)?
Eu faço um surfe mais de linha e ele é mais radical..

De que forma você pretende cuidar da carreira de seu filho, caso pretenda.
O Pinga foi o cara que acreditou em nós quando cheguei e falei que o Miguel tinha talento e independente dele ser o patrocinador dele sempre vamos estar juntos. Foi uma parceria que deu certo. Mas ele respeita o meu ponto de vista e resolvemos pra que caminho o Miguel vai traçar cada ano e os seus objetivos para o futuro. Confio no Pinga e sei que ele quer o melhor para nós. Já trabalhei com ele  na minha carreira há muito tempo atrás, quando eramos da Quiksilver.

Quais as principais diferenças que você percebe em termos de profissionalismo e patrocinio para os jovens atletas atualmente?
São muitas. Na minha época eu surfava por diversão, não tinha muitos patrocinadores. Hoje em dia os jovens surfistas tem uma estrutura totalmente profissional. Empresas investindo forte na carreira do atleta. É bom ver isso, pois nós passamos por várias dificuldades que eles nao vão precisar passar.

O Miguel já foi incluido diversas vezes em listas mundiais de tops sub-18 e sub-20, ( surfer, surfline… ). Qual você acha que é o diferencial do surfe dele que chama a atenção dos gringos?
Ele tem um surfe bem diferenciado do surfista brasileiro. Quando eu o vejo surfando tenho a impressão de estar vendo um surfista gringo, acho que é isso que o diferencia e enche os olhos dos caras.

Quem ganha a bateria atualmente, vc ou seu filho?

Com certeza é ele, mas eu ainda dou uma canseira.

Miguel Pupo

Miguel Pupo é um dos grandes destaques da nova geração brasileira

Miguel Pupo é um dos grandes destaques da nova geração brasileira

Qual a influência do surfe do seu pai no seu surfe?
A influência que meu pai teve sobre mim foi totalmente positiva, eu sempre conto ele como um ponto que tenho a mais em cima de meus adiversarios pois meu pai é competidor e sabe exatamente o que dizer nas horas mais importantes.
Eu cresci no meio dos campeonatos, acompanhava meu pai em etapas do Super Surf e aprendia muito em relação as competiçoes.

Quais os pontos positivos e negativos de carregar um sobrenome de peso?
Eu acredito que não existe nenhum ponto positivo ou negativo em relação ao ter um nome de peso. Ter um nome de peso dificulta um pouco nossa carreira em relaçao a mídia, pois todos temos que lutar e conquistar bastante espaço e reconhecimento, como
eu tive que lutar para deixar de ser o “miguel filho do wagner”, agora falam que “o wagner pai do miguel”.

O seu pai citou a importância do Pinga na sua carreira, fale um pouco disso.
O pinga foi importante com certeza na minha carreira até agora, pois ele junto com a oakley que acreditou no meu potencial e investiu o suficiente para que tudo desce certo nesses anos de trabalho. E o trabalho continua até todos nos juntos chegarmos aos objetivos traçados.

Quem ganha a bateria atualmente, vc ou seu pai?
Hoje eu acho que vai dar um ótimo duelo, pois eu tenho o surfe da nova geração. Radicalidade relacionada ao surfe de linha. Meu pai tem vinte anos de competiçao e um surfe com muita pressão e precisão. Seria uma ótima bateria para se assistir.

OS FIGUEIREDOS

Dada Figueiredo mantém sua radicalidade até hoje.

Dada Figueiredo mantém sua radicalidade até hoje.

Dadá Figueiredo não é só um grande competidor mas um ícone da irreverência que marcou uma geração. No início dos anos 90, Dadá era o cara! Tinha um surfe extremamente radical e veloz, sem medo de arriscar nas baterias. Poderia, e deveria, ter ido muito mais longe na carreira de competidor. Mesmo assim, sua abordagem ousada marcou a história do surfe nacional, que nunca mais teria a mesma linha. Seu filho, além de carregar o sobrenome, tem o mesmo primeiro nome do pai, Dávio. Com doze anos, Dadazinho, como é mais conhecido, se destaca nas competições amadoras e pode ter um futuro brilhante pela frente. Dadá, agora com 44 anos, dá total suporte a carreira dele mas não deixa de incluir em seu discurso a importância dos estudos.

Quando você percebeu o talento do seu filho?
Quando ele tinha uns 8 anos, e participava dos campeonatos internos da Escola, ele já se destacava.

Sabemos que muitos surfistas profissionais deixaram de mão os estudos para se dedicar a carreira. Esse movimento acaba os limitando a viver somente do surfe, quando o conseguem. Você tem medo disso? Como está guiando, ou pensa guiar, seu filho com relação a carreira de surfista profissional e estudos?
Sim. Muitos atletas de vários esportes conseguem conciliar a carreira com os estudos. Penso que ele pode escolher uma faculdade que possa acrescentar algo a ele na carreira de atleta e também abrir uma gama de opções bem maior pra ele no futuro.

Quais as principais diferenças que você percebe em termos de profissionalismo e patrocinio para os jovens atletas atualmente?
Eu vejo que aqui no Rio, tem muito talento sendo disperdiçado por falta de patrocínio, apoio até da prefeitura mesmo. Na minha época, todo mundo tinha patrocínio e vários apoios. As marcas gringas, acabaram com as marcas nacionais que patrocinavam a gente, e não dão conta de tantos atletas bons que temos por aqui.

OS TOLEDOS

Família Toledo reunida.

Família Toledo reunida.

Bi-campeão brasileiro ( 91 e 95 ), campeão do circuito paulista de surfe em 2004, e pai de três promesas do surfe nacional. Esse é, resumidamente, o currículo de Ricardo Toledo, 41 anos. Matheus, com 18, já compete profissionalmente. Filipe, o filho do meio, também mostra grande talento para o esporte e competições. David, o mais novo com apenas dez anos, começa a ser iniciado nas baterias. O pai, apesar de não correr mais o circuito nacional, é ainda um ferrenho competidor, se destacando constantemente em opens, masters, e até mesmo universitários, por aí. Competir é a marca da família.

Quando você percebeu o talento do seus filhos?
Quando eles começaram a competir muito cedo…e a ganhar!

Quais as semelhanças e diferenças entre o seu surfe e o do seus filhos?
Cada um tem características distintas, isso que é legal. O Matheus é o inverso do Filipe. Fora d’agua o Matheus é super calmo, já na bateria… e o Filipe, super agitado quando não está na água mas na bateria é bem concentrado,competitivo. Já o Davi…é um caso a parte. Ele é um pouco dos dois com um “quezinho” de Davi Toledo….kkkkkkkkk

De que forma você pretende cuidar da carreira dele? caso pretenda.
Fazendo o papel de pai, amigo, empresário, técnico, etc. mas acontece que eles tem que querer… se não quiser escutar…paciência! O Matheus não gosta muito de ouvir e ser criticado, ele acha que não é bem assim…. já o Filipe é o contrário, ele faz tudo o que digo, e por isso ,tem tido mais sucesso que o Matheus…

Quais as principais diferenças que você percebe em termos de profissionalismo e patrocínio para os jovens atletas atualmente?
A “grande” diferença é que os equipamentos estão bem mais evoluídos. A quantidade e opções é muito maior. Hoje existem mais ex-atletas trabalhando em surfwear do que antigamente, por isso a visão do atleta é outra! Eles tem investido muito mais na base do que na minha época.

Hoje em dia vemos vários surfistas muito jovens já com patrocínios e vivendo uma vida de competidor, e a tendência é cada vez ir aumentando mais isso. Você acha esse fenômeno bom ou ruim? O que tenta passar para seus filhos com relação a viver de surfe?
Ser criança é a coisa mais importante da vida de um ser humano. Nesta fase ele desenvolve toda formação, por isso ele precisa se divertir, não ter “compromisso” com nada, a não ser brincar de surfe. Eu costumo dizer que iniciação precoce é muito importante, mas especialização precoce pode se tornar muito perigoso se não houver muita “flexibilidade”. A criança precisa passar por todas as suas fases, se não vociê estará “mutilando” um ser humano e, talvez, desperdiçando um possível campeão!!!

Quem ganha a bateria atualmente, você ou seus filhos?
Olha, eu não gosto muito de perder, por isso não costumo dar mole!!! Se eles vacilarem eu faço a mala dos dois…

Matheus Toledo
Idade: 18 anos

Os novos Toledos em destaque.

Os novos Toledos em destaque.

Qual a influência do seu pai no seu surfe?
A influência é total, ele que me ensinou, e ainda ensina!

Ter um pai campeão prejudica ou ajuda?
Ajuda com certeza, toda a expêriencia de vitórias e derrotas ele passa para mim.

Quem ganha a bateria atualmente, você ou seu pai?
hahahahah…acho que se ele deixar eu ir na boa, não vou dar mole.

O seu pai ainda compete, você costuma ver as baterias dele, ou até mesmo dar alguma dicas para ele?
Assisto, gosto de assistir e acho que um puxa o outro!

Felipe Toledo

Qual a influência do surfe do seu pai no seu surfe? E do Matheus, você se espelha nele?
A influência do surfe do meu pai no meu é grande porque eu olho a linha que ele faz na onda, onde ele encaixa a prancha,i isso me ajuda nos campeonatos. Com ceteza me espelho no meu irmão nas manobras aéreas que ele faz e no surfe forte que ele tem.

OS SALAZAR

Picuruta e Leco Salazar.

Picuruta e Leco Salazar.

Picuruta Salazar é um veterano das competições. Há mais de trinta anos envolvido com o surfe, consta que já venceu mais de cem campeonatos, tanto de pranchinha quanto de pranchão, um recorde absoluto. Atualmente divide seu tempo entre as competições de longboard e sua escolinha em Santos. Seu filho mais velho, Leco, é um dos tops brasileiros do pranchão mas, a exemplo do pai, também compete de pranchinha alguns circuitos locais. Os outros dois filhos, Caio e Matheus, também representam a família no surfe.
Picuruta Salazar

Quais as semelhanças e diferenças entre o seu surfe e o do seu filho?
A radicalidade e a tranquilidade.

Quais as principais diferenças que você percebe em termos de profissionalismo e patrocinio para os jovens atletas atualmente?
Hoje se surfa muito pensando no lado financeiro, deixando de lado o real feling do surfe.

Leco Salazar
idade:21anos

Qual o lado positivo e o negativo de carregar um nome de peso?
O lado positivo é muito mais forte, muitas oportunidades apareceram para mim graças ao meu pai: patrocinios, viagens, pranchas e uma série de outras coisas. O nome da família tem um peso bem grande para mim e para meu irmão. Por outro lado temos uma certa cobrança, pelos títulos conquistados pelo meu pai. Acham que devemos ser iguais a ele, mas na verdade é impossível, ninguém será igual ao Picuruta, ou igual ao Slater ou o Andy Irons. Cada um constrói seu caminho.

Como é competir contra o seu pai?
É bom competir com meu pai e sempre muito divertido. Além de ser divertido viajar com ele. A experiência dele me me ajuda, pois ele me dá altas dicas para competir. Mas por outro lado ele sempre faz a mala de geral.

VN:F [1.7.5_995]
Confira também:

Envie uma carta para a Revista Blackwater

Nome:

Email:

Mensagem:

Desejo receber novidades da BlackWater

Deixe seu Comentário


Spam protection by WP Captcha-Free