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Home > 36 | Materia > Publicado em 10 de julho de 2009

Presente de 3 anos

Presente de 3 anos5.051
Manga e Teahupoo, velhos conhecidos. Foto: Camarão

Manga e Teahupoo, velhos conhecidos. Foto: Camarão

Três dias! Era o tempo que a ASP precisava para realizar a etapa do WCT em Teahupoo. Esse prazo é estipulado para, na pior das hipóteses, apenas uma boa ondulação ser necessária para que aconteçam todas as disputas. Assim um dos dias é o auge e os outros dois a rebarba do swell, por mais curto que seja. Três dias de boas ondas, será que é pedir muito? No Taiti parece que sim, pois novamente a terceira etapa do tour foi realizada em condições muito aquém do que estamos acostumados a ver. Rezam lendas locais que alguma espécie de maldição anda acompanhando o evento e seus organizadores. Não acreditamos nisso, mas verdade é que apenas duas semana depois da compeitção finalizada, Teahupoo ficou grande, perfeito e muito tubular. E, por ironia do destino, permaneceu assim pelos justos e exatos três dias. Ondas com no mínimo seis pés, chegando aos doze nos momentos mais emocionantes, explodiram na bancada quinta, sexta e sabádo daquela primeira semana de junho. Só que a ASP e sua trupe já estavam longe, bem longe. Bom para quem estava lá e pode aproveitar as condições únicas. Bom para você, leitor, que surfistas de alto nível estavam lá, e botaram pra baixo sem medo. E bom para a Blackwater que os brasileiros estavam lá, tanto para registrar quanto para pegar tubos. Assim estamos aptos a mostrar aqui o que de melhor aconteceu em apenas três dias. Ou seria em toda uma ondulação?

Precisou de um tempo e pilha da galera,  mas Felipe "Gordo" Cesarano botou pra  baixo numa das grandes. Foto: Camarão

Precisou de um tempo e pilha da galera, mas Felipe "Gordo" Cesarano botou pra baixo numa das grandes. Foto: Camarão

No quatro de junho, Stanley Cieslik, um dos brasileiros no Taiti, ganhou um presente que nunca vai esquecer. Em Teahupoo sempre sobe uma mais atrás, aquela que mesmo quem ta lá fora esperando a série tem que remar pra não tomar na cabeça. Posicionar-se mais embaixo do pico é uma tática arriscada e as chances de um nada divertido passeio no maravilhoso mundo colorido dos corais aumenta muito nos dias grandes. E foi exatamente isso que aconteceu quando Stanley, que ainda tentou furar a bomba, voltou no repuxo, dentro de um lip que cabia mais uns cinco stanleys, explodindo na imensidão de espuma. Dizem que o garoto passou três ondas debaixo d’água e sobreviveu para, além de contar a história, assoprar as velinhas do bolo de seu aniversário, em terra firme e com apenas alguns arranhões. Teahupoo costuma dar presentes meio estranhos, principalmente para os mais distraídos, mas Stanley se recuperou muito bem do trauma e tirou alguns tubos com muito estilo depois do acidente.

Nesse mesmo dia a boia marcava 2.9 metros com 18 segundos, sul-sudoeste. Logo pela manhã, além do Stanley, Ian Cosenza, Felipe “Gordo” Cesarano, Eric de Souza e Pedro “Manga” também estavam no mar. Ainda antes de chegar no pico eles receberam a notícia, através do Paulo Barcellos, que estava grande e perfeito, muito perfeito. Tanto que Simon Thornton, bodyboarder psicopata e residente de Teahupoo durante a maior parte do ano, resumiu ao Paulo assim: “as good as it gets”. Ou seja, melhor impossível. Lá fora, as boas notícias se confirmaram. Séries de doze pés, muito liso e mais ainda tubular. A maioria dos que estavam alí nunca havia visto ondas tão grandes, pesadas e perfeitas. Eram condições especiais até para Teahupoo, figuras ilustres como o fotógrafo local Tim Mckenna, o waterman Laird Hamilton e o cinegrafista Jack McCoy deram o ar da graça, carimbando em definitivo que algo importante acontecia.

Chuck Patterson foi mais que aderiu ao SUP nas condições extremas. Foto: Camarão

Chuck Patterson foi mais que aderiu ao SUP nas condições extremas. Foto: Camarão

Dizem que Teahupoo foi descoberta por um bodyboarder ( Mike Stewart ) e nesse quatro de junho a galera da tampa de privada honrou o pioneiro e pegou as melhores no pico. Entre eles estavam o já citado Paulo Barcellos e o carioca Leo Leite. Mas ficar em pé na prancha é sempre mais emocionante, e alguns surfistas mostraram que também tem disposição para remar nas maiores cracas. Damian Wills era um dos mais tomados esse dia. Wills já tem trinta anos, mas começou a se destacar apenas recentemente com algumas ações insanas, incluindo um drope de peito em Shipstern Bluff. O local de Copacabana Beach, na Austrália, era mais um dos emocionados ao fim do dia: “Remei nos maiores tubos da minha vida com certeza!”. O gaúcho Pedro “Manga” mostrou grande conhecimento do pico, além de coragem é claro, e pegou boas ondas, sempre na da série. “Gordo” e Eric tomaram vacas animais, em duas enormes que ambos droparam no limite arrancando gritos de todos no canal. Calunga também apareceu por lá e surfou vários tubos com segurança e experiência. No fim de tarde a galera do tow in chegou a pegar algumas ondas, mas todos se poupavam para a próxima ondulação, no sábado, que prometia 3.2 metros com 18 segundos. Depois de um dia como aquele, as expectativas eram as melhores possíveis, e maiores também.

Dia quatro era uma quinta, então antes do sábado ainda havia a sexta-feira, que não foi menos incrível que o dia anterior. O mar estava um pouco menor e as séries não passavam dos míseros oito pés. Um dos donos do espetáculo foi outro australiano, Laurie Towner. Além de atirado, mostrou uma técnica suáve e muito estilo para entubar de backside. Novamente o “Manga” não ficou para trás e, com sua paciência habitual, só remava nas boas. Ainda nesse dia Laird Hamilton e Raimana Van Bastolear desceram algumas das grandes com seus SUPs, e não contentes, tiraram tubos insanos, com direito a remo na parede para atrasar. Seria uma prévia do que aconteceria no dia seguinte com o novo swell? Também gostaríamos que sim, mas não foi.

O dia mais esperado chegou. Logo cedo dava pra ver da praia que tinha onda, mas a distância torna difícil dizer o tamanho exato. A verdade é que se realmente estivesse maior que a última quinta, como dizia na previsão, a coisa ficaria cavernosa e assustadora. Mas não estava tão assustador, pois ondas de seis pés, pra mais, quebravam. A previsão havia errado. Mas ainda estava cavernoso, e muito perfeito. Pode-se dizer que foi o momento da forra. Depois dos últimos dois dias surfando sempre no limite, com algumas séries visivelmente impossíveis de fazer na remada, todos se sentiram muito mais a vontade na hora de botar pra baixo nas maiores do sábado. Mas como Teahupoo não costuma dar moleza, a história termina do mesmo jeito que começou: Stanley remando para fora, com tanta força quanto desespero, enquanto a maior série do dia vai chegando, subindo e chupando, lá atrás. Só que dessa vez ele conseguiu se salvar e furou a bomba com êxito. Ufa!

Confira o vídeo produzido pelo Portal QUE!

Confira a galeria de fotos:

Fotos e videos: Gustavo Camarão

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