Aonde você pensa em investir o tempo que ainda tem pela frente? Reflita bem sobre isso pois dizem por aà que “cada segundo da sua vida é valiosÃssimo” e gastá-lo de forma inteligente é uma virtude, completamos aqui da BW. Stephan Figueiredo iniciou o ano de 2009 com um pensamento ecoando forte na cabeça: passar o máximo possÃvel de seus 31.536.000 segundos dentro dos tubos. Um investidor, digamos assim, que gosta de riscos.
Bem..se Stephan tivesse uma piscina de ondas das mais modernas no quintal de casa, poderia acionar o botão no modo -tubos para esquerda- e passar o quanto tempo conseguisse dentro deles, e com certeza seria muito…mas a realidade é outra, ele não tem uma piscina dessas em seu jardim, aliás, mal tem casa. Mas tem um cerébro que, apesar de estar um pouco enferrujado pelo sal, ainda funciona muito bem. Pensando no melhor investimento de seu tempo ( e dinheiro ), decidiu seguir os tubos viajando. Foram quatro escalas que formam talvez a combinação mais harmoniosa possÃvel entre estações e ondas cilÃndricas ao redor do planeta. HavaÃ, TaÃti, Chile e México. Pipeline, Teahupoo, El Gringo e Zicatela, numa visão mais Fun. Sua carteira estava armada, e a aposta realmente parecia ser a mais segura.
Com o ano prestes a acabar o balanço foi: horas e mais horas de avião e aeroportos, dias aguardando a combinação de ondulação e vento certos, longos minutos esperando a onda da série e, por fim, alguns segundos dentro do tubo, e olha que esse último nem sempre dá certo. Mas quem acha isso frustrante está totalmente enganado, esses poucos segundos “insidethebarrel” proporcionam felicidade prolongada e podem até viciar, -CUIDADO! já diziam seus pais. Conclusão: a BW decreta que os segundos no tubo são alguns dos mais valiosos da vida. E ao mesmo tempo que requer um alto investimento, taà tanto valor, a recompensa o paga integralmente, e com sobras, só que em outra moeda.
Para poupar segundos e neurônios dos leitores, coletamos com Stephan algumas informações essenciais de cada um dos lugares visitados. Assim, você poderá investir nesse ano dos sonhos, ou pelo menos em parte dele, e pegar os tubos na hora e no lugar certos. Dica dada, esperamos que em 2010 a cotação de seus tubos fique baixa, de tantos que vai pegar…
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PIPELINE, O’AHU – HavaÃ
Acesso:
A melhor dica é que um amigo, ou amigo de um amigo, te busque no aeroporto ou pague a corrida de trinta dólares para alguém te buscar. Caso contrário o único jeito é pegar um taxi até o North Shore, saà no mÃnimo cem dólares. Chegando lá a melhor dica é se hospedar entre V-land e Waimea, assim Pipeline ficará algumas pedaladas de sua casa.
A onda:
A onda de Pipe quebra sobre uma bancada de lava vulcânica com algumas pontas e cavernas. Dependendo da direção da ondulação pode acontecer de jogar um pouco de areia no fundo, o que prejudica a formação. Quanto mais limpa a bancada melhor. A direção certa é “West” ou “Northwest”. A onda quebra a 50 metros da areia nos dias mais perfeitos e pode-se chegar lá fora sem molhar o cabelo em um mar com mais de dez pés. Mas as vezes fica tudo torto e storm quebrando lá nas bancadas de fora, mesmo nesses dias dá pra pegar um tubão.
Pranchas:
Nos dias menores dá pra surfar de 6′. 6′6” nos dias até seis pés. Uso uma 7′ quando quero surfar na bancada debaixo mas já está vindo umas ondas do “second reef”, e quando quero surfar de lá gosto de cair com uma 7′4” pra ficar mais seguro na hora de entrar na onda. Em ocasiões muito únicas uso minha 7′10”. Quando tá perfeito e grande.
OBS.:
Muitos detalhes fazem de Pipe a melhor onda e também a mais cobiçada e temida. É perto da areia, quase sempre que quebra está bom, a água é transparente e quente. Você pode surfar a onda da sua vida e é certo que alguém terá registrado, seja da água ou da areia, fotógrafo ou cinegrafista. Ainda dá pra conhecer várias gatas na praia. Mas tome cuidado para não transformar o sonho em pesadelo. Lá tem muito localismo e o crowd é insuportável nos dias bons. Não cometer erros é essencial nessa onda. Seja paciente.
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TEAHUPOO, Taiti, Polinésia Francesa
Acesso:
Antes de ir para o Taiti é bom arrumar o contato de alguma casa e alguém para te buscar no aeroporto, chegar lá sem saber nada é roubada. Teahupoo fica no final da estrada, mais de uma hora de carro, taxi sairá uma fortuna e dormir no centro também não é menos caro. Instalado na vila de Teahupoo é só pegar sua prancha e remar vinte minutos contornando a bancada até o pico. Caso tenha dinheiro sobrando pode alugar um barco, o ideal é rachar com os amigos. Essa brincadeira dificilmente sai por menos de cinqüenta dólares por dia.
A onda:
Sem sombra de dúvida é a onda mais perfeita e assustadora, não necessariamente nessa ordem. A bancada é toda de coral vivo e afiado, e é bem raso. Se você observar da praia verá que a onda começa com um tamanho e no final ela dobra, pouco antes de se juntar com a direita. A onda que vem lá de dentro da bancada é a de sul, teoricamente mais fácil. O bicho pega quando tá de oeste, vindo do canal e dobrando em cima da bancada.
Pranchas:
O quiver de Teahupoo é pequeno, o problema é que você vai ter que levar pranchas reserva, pois quebrá-las é inevitável para quem quer pegar os tubos. A onda é extremamente buraco e você dropa sempre no limite, nesse caso uma prancha muito grande atrapalha. O ideal é usar 6′0”, 6′3”, 6′6” e 7′. É raro ver alguém com prancha maior que sete pés nos maiores dias.
Obs:
É certo de passar algum tipo de roubada, seja entre tubarões, se ralando no reef, nadando até a praia ou tomando na cabeça. Esteja preparado. Tome cuidado para não ser engolido pelo oceano, pois a série sempre pega de surpresa e mesmo quem acha que tá bem posicionado acaba tomando na cabeça. Não queira estar no lugar errado, na hora errada. Os locais são muito tranquilhos e receptivos, então seja educado e respeitoso, você só tem a ganhar. A beleza e o prazer que essa onda proporciona você não encontrará em nenhum lugar do mundo.
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EL GRINGO, ARICA, CHILE
Acesso:
O aeroporto fica a vinte minutos da cidade, um taxi não sai caro. Existem alguns hotéis para se hospedar, mas uma boa opção é o surfhouse do Kurt. Dá pra ir para o surfe de taxi, sai uns dois doláres a corrida. Mas também rola de ir caminhando, o que leva uns vinte minutos e já pode ser encarado como um aquecimento para o surfe, já que de manhã é um frio sinistro!
A onda:
É um pointbreak que quebra na ponta de uma ilha. A onda tem formação de pico, o famoso triângulo. O fundo é de coral e pedra, para completar tem umas cracas gigantes. A onda quebra desde dois, três pés, até uns dez pés. A direção boa é sul, sudoeste. O surfe só rola de manhã, a tarde entra um vento ruim.
Pranchas:
Aqui você vai variar bem o tamanho de prancha, desde uma 6′0” até uma 7′0”. Não aconselho pranchas maiores pois essa é uma onda que precisa de bastante agilidade.
Obs:
Cuidado! Muito cuidado nessa onda. Ela é boa e parece fácil, mas é bem difÃcil. É uma onda que não permite vacilos como wipeouts e tomar na cabeça, caso contrário é bem provável que você dê uma raladinha no fundo. O final dessa onda é nas pedras, ainda mais nos dias pequenos. O canal para entrar e sair do mar pela esquerda é perigoso. Use cordinhas boas para evitar passar perrengues. A água é gelada, leve uma boa roupa de borracha e aconselho botinhas também, pois além de te aquecerem podem te protejer em situações desagradáveis. Os pontos positivos de El Gringo é que não existe muito crowd e sempre tem onda, acho que é o pico mais constante do mundo.
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PUERTO ESCONDIDO, OAXACA, MÉXICO
Acesso:
Chegando no aeroporto de Puerto Escondido não tem mistério. Só há um voo por dia aterrisando lá, então sempre tem umas vans a espera dos turistas. Até a praia de Zicatela custa uns dez dólares no máximo e lá tem dezenas de hotéis em frente a praia, ou bem perto, com preços acessÃveis. Você fica na cara da onda, é só atravessar a rua e entrar no mar.
A onda:
É considerado o melhor beach break do mundo. A praia é bem longa mas as ondas só são na parte mais a direita da praia, exatamente onde tem os hotéis, restaurantes e lojinhas. O fundo não muda muito mas a direção da ondulação influencia bastante na onda. Como em todo fundo de areia, muitas ondas fecham. Um fator que ajuda bastante na qualidade dessa onda é o forte terral que venta quase todas as manhãs do ano.
Pranchas:
Aqui você terá que preparar um bom quiver se quiser surfar todo o tamanho de onda. Desde a maroleira dia-a-dia do Brasil até uma gun 9′. Quando o mar sobe dá pra usar pranchas grandes. Não economize em levar pranchas, qualquer toco anda nessa onda.
Obs:
Leve protetor solar do bom porque o sol é cruel. Se puder pegue um quarto com ar-condicionado, é um ótimo investimento do seu dinheiro. As pranchas lá são muito baratas, tanto nas lojas quanto da galera que vai indo embora, muitas vezes vale mais a pena adquirir algumas lá do que pagar as taxas para embarcar as suas. Por ser fundo de areia a onda parece fácil, você fica confiante de mais e, muitas vezes, acaba se machucando. Tome cuidado! Há poucos locais e não são muito fominhas, mas respeite, pois você está no México!
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