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Home > Noticias > Publicado em 1 de dezembro de 2009

Rapaze o filme

Rapaze o filme2.051

Rapaze chega as bancas em Dezembro.

Rapaze chega as bancas em Dezembro.

Todo rapaz pequeno pode ser um trigo roxo, mas arria os bagos do zóio e abaixa a crista quando topa com uma prancha de surfe. Olha pra prancha, bota tento, fica com cara de cachorro mijando na chuva, depois se solta e fica ali, com a canjica de fora. E logo percebe que uma prancha não é coisa pra bonito. Mas como tudo na vida, o surfe tem que ser de boa mente. Porque se for de vereda, pode acabar de borco. Afobação não ajuda, senão vira um bem-te-vi de igreja. Virar surfista é dibaxo da quebra.

Mas quem ama surfe vai até caixa-prego. Pra isso, tem que estar afiado. Saber enfrentar palpos de aranha quando preciso. Entre o sonho e a realidade, tem que ser rapinoso o tempo todo, até ficar esbudegado. Di sóli parido a sóli murrido. Até em dia estanhado. Quem se esgadelha muito da vida, melhor mudar o rumo pra não virar surfista meia pataca. Pra finalizar, vou te dizete uma coisinha pra ti: se uma prancha cruzar teu caminho, rapaz pequeno, não esmoreça. Porque chega uma hora que, depois de muito sonhar, você vê passarinho verde.


Nosso filme conta a história de um menino que se encontra com uma prancha de surfe pela primeira vez. E é amor à primeira vista. Esta história pode ser de um menino de Floripa, de Garopaba, da Indonésia, do Hawai, enfim, de qualquer lugar do mundo. Porque o surfe não tem fronteiras. Não tem nacionalidade. Não tem cor. Surfe é uma religião de todos os credos. Surfe é para quem tem água salgada correndo nas veias.

Este filme nasceu em Garopaba. Por isso as expressões típicas de Santa Catarina. Pinçadas do Catarinês, que já virou dicionário. Ele é uma homenagem aos meninos de ontem, que viraram os rapaze de hoje, que correram mundos atrás das melhores ondas nos mais diferentes picos. Mais detalhes? Veja o filme. E viaje nessa trip visual e sonora que vai te levar pra lugares cheios de tubos, aéreos, algumas vacas cabulosas e muito mais.

DICIONÁRIO DE EXPRESSÕES

Abaixar a crista – Aquietar-se

Arriá o bago do zóio – Olhar, prestar atenção

Amarrar a mula – Calar-se

Botar tento – Prestar atenção

Caismatou-se – Cair, machucar-se, tomar uma vaca

Canjica de fora – Dentes de fora, estar com o sorriso aberto

Cara de cachorro mijando na chuva – Quando uma pessoa está envergonhada, sem jeito

Coisa pra bonito – Coisa sem necessidade, supérfluo

De boa mente – Esperar um pouco, agüentar um pouco

De borco – Torcer, cair de mau jeito

De vereda – Direto, de uma vez só

Bem-te-vi de igreja – Pessoa que está se exibindo muito

Dejahoje – Tempos atrás, antes, mais cedo,

De sóli parido a sóli murrido – Durante todo o dia

Dia estanhado – Dia cinzento, sem sol, mormacento

Dibaxo da quebra – Trabalho pesado

Em caixa-prego – Lugar muito longe

Estar em palpos de aranha – Estar numa situação difícil

Esgadelhar-se – Lamentar-se, reclamar muito

Meia pataca – De pouco valor

Nois nun ium lá? – Busca, sair em busca de boas ondas, encontrar um novo pico

Quinhão – Compartilhar, dividir a parafina, o sanduíche

Rapaze – Os caras, os surfistas, a galera que pega onda

Rapinoso – Perceptivo, ágil, sentir as coisas com rapidez

Trigo roxo – Sapeca, levado, arteiro

Viu passarinho verde – Quando uma pessoa está muito feliz, alegre, contente

Vou te dizete uma coisinha pra ti – Expressão usada como alerta, como advertência

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