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Home > 45 | Materia > Publicado em 29 de março de 2010

Novo continente: Europa

O surfe nunca foi o principal esporte europeu e muito menos a Europa o principal território surfístico, mas é inegável a afinidade que os dois possuem. Tão inegável que tanto surfistas quanto ondas e, também, costumes europeus, figuram constantemente em parte grande da mídia especializada. Atraídos pelo estilo de vida bucólico do velho continente, um bucolismo que quase sempre inclui bebidas, festas e muitas garotas, os surfistas também descobriram o potencial de ondas que aquela costa, ou melhor, que todo o continente apresentava. As opções são das mais variadas, desde bocas de rio ultra clássicas até lages de pedras cracudas, passando por bancos de areia perfeitos e o que mais você puder imaginar ou surfar. A Europa é isso, diversidade. Cultural, geográfica, climática e de ondas, claro. E é dessas mesmo que queremos falar.

O surfe nunca foi o principal esporte europeu e muito menos a Europa o principal território surfístico, mas é inegável a afinidade que os dois possuem. Tão inegável que tanto surfistas quanto ondas e, também, costumes europeus, figuram constantemente em parte grande da mídia especializada. Atraídos pelo estilo de vida bucólico do velho continente, um bucolismo que quase sempre inclui bebidas, festas e muitas garotas, os surfistas também descobriram o potencial de ondas que aquela costa, ou melhor, que todo o continente apresentava. As opções são das mais variadas, desde bocas de rio ultra clássicas até lages de pedras cracudas, passando por bancos de areia perfeitos e o que mais você puder imaginar ou surfar. A Europa é isso, diversidade. Cultural, geográfica, climática e de ondas, claro. E é dessas mesmo que queremos falar.   O surfe em território europeu começou sua fama com as competições que rolavam, e algumas ainda rolam, em beach breaks com boas ondas, mas nem sempre. Campeonatos de grande importância já foram cancelados por falta de onda lá, flat que pode ser muito cruel para os mais desprevinidos. Mas também fica bom, muito bom e dias a fio e, apesar de muita gente saber disso, demorou para o berço da civilização chamada de moderna se tornar o berço do surfe, ou ao menos um colo amigo para alguns momentos. Hoje em dia, a temporada no continente excede o significado da definição que por muito tempo foi usada, a de perna européia. Muito além dos campeonatos, existe uma temporada de ondas boas e existem também ótimos surfistas locais, além de um batalhão de gringos, e aí podemos incluir brasileiros, querendo aparecer. Nesse batalhão, para o cenário ficar completo, estão convocados também fotógrafos, cinegrafistas e repórteres do mundo todo. Pronto! Não deve nada para uma temporada havaiana, só que ao invés do Kala espancando um bodyboarder indefeso em Pipeline você assiste ao Dane Reynolds comer um croissant enquanto fotografa sua namorada num belo entardecer na Riviera Francesa. Um clima, as vezes, europeu até demais.  Voltando ao surfe, o continente se destaca exatamente pelo fato de não ser um continente. Geograficamente, a Europa não passa de uma península anexada ao continente asiático e, como consequencia disso, seu litoral tem das formas mais irregulares que vemos no Atlas. Nenhum outro pedaço da terra possui tantas curvas, entradas, ilhas e ainda por cima outras penínsulas menores, como característica. É incrível o potêncial de ondas do lugar! Já falei isso né? Mas vale ressaltar que dos cinquenta países, a grande maioria possui litoral. Também, a Europa é conhecida pela quantidade de rios, e muitos deles deságuam no mar. Os surfistas agradecem. O destaque dessa costa certamente é sua porção banhada pelo oceano Atlântico. Ondas como Mundaka, no país Basco, Supertubos, em Portugal e La Nord, na França, além de picos como as Ilhas Canárias, menos famosos mas muito surpreendentes, fazem parte dessa costa.  Por outro lado, ondas já surfadas em lugares como Islândia, Noruega e, até mesmo, Rússia, provam a força do oceano chamado de Glacial Ártico. O cenário, muitas vezes inóspito, conta com um frio de lascar, pedras, larva vulcânica e ondas, na maioria das vezes, rápidas e buraco. Mas quase nínguem surfa por lá e muitos picos ainda não foram descobertos. Alguns consideram essa área, junto com a costa africana, como a nova fronteira do surfe. Por aqui, a badalação de outras praias da lugar a pequenos povoados recatados, onde o frio fala mais alto que qualquer coisa. O Mediterrâneo também guarda algumas surpresas, mas que normalmente só supreendem os mais maroleiros pelo que parece.  A melhor e mais segura época para o surfe na Europa é, sem sombra de dúvida, o outono. Mas se os beach breaks de lá podem se orgulhar pela regularidade e constância com que quebram, os picos mais clássicos ou com outro tipo de formação enfrentam a situação oposta e chegam a ficar anos sem quebrar do jeito. É o caso de Mundaka, um dos melhores e mais longos tubos para a esquerda do mundo, mas também um dos picos mais raros e temperamentais. Mundaka deve deter o recorde de dias adiados no WT e sempre é uma grande incógnita no calendário do tour. Mas quem consegue pegar a esquerda em um dia bom costuma sofrer uma overdose de tubos, onde a cabeça nem funciona mais direito, só curte os salões. A formação depende muito do rio que, quando tudo dá certo, esculpe milimetricamente um banco de areia perfeito para o surfe. A extensão, angulação e profundidade daquela areia combinada com um bom swell do Atlântico Norte resulta em uma das esquerda mais mágicas do mundo, pode ter certeza.  Existe uma calamidade não natural que preocupa os surfistas europeus, tanto quanto os do resto do mundo. É o crowd. Lá, na terra dos primeiros navegadores, o mar nunca foi limite para o homem e no surfe vemos a mesma disposição, com milhões de praticantes e uma turma enorme de fãs e apreciadores. Tudo isso, naturalmente, leva ao localismo e a confusões, ponto negativo. Mas o crowd europeu costuma ser amigável que em outros lugares do mundo, tirando algumas histórias da própria Mundaka e Ilhas Canárias, pouco se ouve sobre retaliações mais violentas. O crowd é até bem vindo em muitos lugares que impulsionaram seu crescimento com o turismo, caso de alguns balneários e praias fraceses.  Por diversos motivos e pelo grande motivo da diversidade, a Europa é um prato cheio para surfistas. Ondas boas, de todos os tipos, clima tranquilho e ameno, belezas naturais e articifiais também. O lugar onde grande parte de nossa cultura ocidental nasceu, não foi resposável pelo nascimento, nem por grande parte do desenvolvimento do surfe, mas acolhe o esporte e define alguns novos padrões. A Europa e seus surfista crescem no cenário mundial e pelo que tudo indica, ainda tem muito mais espaço para crescer. Foto: Chris Burkard

Peter Mendia sabe que pode esperar ualquer coisa da Europa, aqui ele recebe o melhor possível. Foto: Chris Burkard. Foto: Chris Burkard

O surfe em território europeu começou sua fama com as competições que rolavam, e algumas ainda rolam, em beach breaks com boas ondas, mas nem sempre. Campeonatos de grande importância já foram cancelados por falta de onda lá, flat que pode ser muito cruel para os mais desprevinidos. Mas também fica bom, muito bom e dias a fio e, apesar de muita gente saber disso, demorou para o berço da civilização chamada de moderna se tornar o berço do surfe, ou ao menos um colo amigo para alguns momentos. Hoje em dia, a temporada no continente excede o significado da definição que por muito tempo foi usada, a de perna européia. Muito além dos campeonatos, existe uma temporada de ondas boas e existem também ótimos surfistas locais, além de um batalhão de gringos, e aí podemos incluir brasileiros, querendo aparecer. Nesse batalhão, para o cenário ficar completo, estão convocados também fotógrafos, cinegrafistas e repórteres do mundo todo. Pronto! Não deve nada para uma temporada havaiana, só que ao invés do Kala espancando um bodyboarder indefeso em Pipeline você assiste ao Dane Reynolds comer um croissant enquanto fotografa sua namorada num belo entardecer na Riviera Francesa. Um clima, as vezes, europeu até demais.

Voltando ao surfe, o continente se destaca exatamente pelo fato de não ser um continente. Geograficamente, a Europa não passa de uma península anexada ao continente asiático e, como consequencia disso, seu litoral tem das formas mais irregulares que vemos no Atlas. Nenhum outro pedaço da terra possui tantas curvas, entradas, ilhas e ainda por cima outras penínsulas menores, como característica. É incrível o potêncial de ondas do lugar! Já falei isso né? Mas vale ressaltar que dos cinquenta países, a grande maioria possui litoral. Também, a Europa é conhecida pela quantidade de rios, e muitos deles deságuam no mar. Os surfistas agradecem. O destaque dessa costa certamente é sua porção banhada pelo oceano Atlântico. Ondas como Mundaka, no país Basco, Supertubos, em Portugal e La Nord, na França, além de picos como as Ilhas Canárias, menos famosos mas muito surpreendentes, fazem parte dessa costa.

Atenção! Ataque aéreo americano na Rússia.  Mike Losness. Foto: Chris Burkard

Atenção! Ataque aéreo americano na Rússia. Mike Losness. Foto: Chris Burkard

Por outro lado, ondas já surfadas em lugares como Islândia, Noruega e, até mesmo, Rússia, provam a força do oceano chamado de Glacial Ártico. O cenário, muitas vezes inóspito, conta com um frio de lascar, pedras, larva vulcânica e ondas, na maioria das vezes, rápidas e buraco. Mas quase nínguem surfa por lá e muitos picos ainda não foram descobertos. Alguns consideram essa área, junto com a costa africana, como a nova fronteira do surfe. Por aqui, a badalação de outras praias da lugar a pequenos povoados recatados, onde o frio fala mais alto que qualquer coisa. O Mediterrâneo também guarda algumas surpresas, mas que normalmente só supreendem os mais maroleiros pelo que parece.

A melhor e mais segura época para o surfe na Europa é, sem sombra de dúvida, o outono. Mas se os beach breaks de lá podem se orgulhar pela regularidade e constância com que quebram, os picos mais clássicos ou com outro tipo de formação enfrentam a situação oposta e chegam a ficar anos sem quebrar do jeito. É o caso de Mundaka, um dos melhores e mais longos tubos para a esquerda do mundo, mas também um dos picos mais raros e temperamentais. Mundaka deve deter o recorde de dias adiados no WT e sempre é uma grande incógnita no calendário do tour. Mas quem consegue pegar a esquerda em um dia bom costuma sofrer uma overdose de tubos, onde a cabeça nem funciona mais direito, só curte os salões. A formação depende muito do rio que, quando tudo dá certo, esculpe milimetricamente um banco de areia perfeito para o surfe. A extensão, angulação e profundidade daquela areia combinada com um bom swell do Atlântico Norte resulta em uma das esquerda mais mágicas do mundo, pode ter certeza.

Taylor Knox será sempre um clássico, e que não gosta de clássicos? Foto: Caio Guedes

Taylor Knox será sempre um clássico, e que não gosta de clássicos? Foto: Caio Guedes

Existe uma calamidade não natural que preocupa os surfistas europeus, tanto quanto os do resto do mundo. É o crowd. Lá, na terra dos primeiros navegadores, o mar nunca foi limite para o homem e no surfe vemos a mesma disposição, com milhões de praticantes e uma turma enorme de fãs e apreciadores. Tudo isso, naturalmente, leva ao localismo e a confusões, ponto negativo. Mas o crowd europeu costuma ser amigável que em outros lugares do mundo, tirando algumas histórias da própria Mundaka e Ilhas Canárias, pouco se ouve sobre retaliações mais violentas. O crowd é até bem vindo em muitos lugares que impulsionaram seu crescimento com o turismo, caso de alguns balneários e praias fraceses.

Por diversos motivos e pelo grande motivo da diversidade, a Europa é um prato cheio para surfistas. Ondas boas, de todos os tipos, clima tranquilho e ameno, belezas naturais e articifiais também. O lugar onde grande parte de nossa cultura ocidental nasceu, não foi resposável pelo nascimento, nem por grande parte do desenvolvimento do surfe, mas acolhe o esporte e define alguns novos padrões. A Europa e seus surfista crescem no cenário mundial e pelo que tudo indica, ainda tem muito mais espaço para crescer.

Confira a edição completa desta matéria.

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