Ricardo Junji é um assíduo colaborador da Blackwater. Até não muito tempo atrás residente da Indonésia, Junji nos surpeendeu ao contar que estava morando agora na ilha Reunião. Foi, então, motivo para o contato e saber um pouco mais dessa mudança de ares, e de mares.
Porque Reunião?
Com o nascimento da minha filha, minha esposa me propôs ir morar na ilha Reunião e sendo um local com altas ondas, decidimos nos mudar. Outro motivo foi o fato da Indonésia ter se tornado um pico muito popular, o que para o meu trabalho, causou uma grande mudança. Vim para cá com o intuito de explorar algo novo e diferente. Localizado “ao lado” da África do Sul estou próximo do ponto de partida para alguns dos meus projetos ( o outro lado do Oceano Indico e o continente africano ).
Como é o lugar?
Na Reunião, em seus 2510 quilômetros quadrados, existem diversos microclimas, que faz o clima variar, numa curta distância, de lugar para lugar, mesmo sendo uma pequena ilha. Basta você escolher o clima que mais lhe agrada para decidir onde se instalar. Em 35 minutos você pode sair de um lugar com a temperatura a 35 graus e chegar a outro a 15 graus. O pico mais alto da ilha, chamado de Piton des Neiges, fica a 3072 metros de altura acima do nível do mar. Em outubro de 2006 foi o último registro de neve.
Economicamente a ilha tem como base o turismo, a agricultura ( a cana-de-açúcar é a principal ) e a pesca. A taxa de desemprego é alta. 27,2% população ativa esta desempregada. A Reunião é quase que totalmente dependente da metrópole – a França, de onde 66% de suas necessidades são importadas. Por outro lado exporta mais de 70% de sua produção. A cultura tem o lado africano e europeu que o Brasil tem. A ilha faz parte do território francês, mas é uma mistura das culturas, basicamente européia, africana, indiana e chinesa, o que enriquece o lugar em vários aspectos, e que resume o que é a ilha Reunião.
Como é a cena local de surfe?
O nível do surf da Reunião é alto. Daqui saem vários surfistas que representam a Franca no circuito mundial. Na última edição do campeonato mundial Pro Junior, na Austrália, o titulo ficou com Maxime Huscenot no masculino, e Johanne Defay, atual campeã européia Pro Junior, terminou na terceira colocação, entre as meninas. Jeremy Flores, que é um dos dois únicos representantes europeus no WCT de 2010, entre outros nomes que estão na corrida por uma vaga no World Tour. A nova geração vem com força total. Os diversos “surf clubs” existentes na ilha preparam a molecada desde cedo para seguirem o caminho no mundo competitivo. E tendo exemplos como Jeremy Flores, Rob Machado (que tem duas filhas nascidas e que moram aqui), Máxime Huscenot, a molecada está cada vez mais inspirada.
E as ondas?
O sul da ilha é onde o swell entra sempre maior. A costa oeste é onde estão presentes a maiorias dos picos. A costa leste é evitada, por muitos, devido à presença de tubarões. Mas existem boas direitas e quando quebram tem gente surfando. O crowd existe, mas onde os locais mais demonstram a posse é em Saint Leu, a mais famosa e clássica de todas. Sabendo como chegar e respeitando as regras do surf você vai pegar a sua onda, assim como no Brasil ou em qualquer lugar do mundo.
O inverno é a época que a ilha recebe as ondulações predominantes do quadrante sul, que é o que queremos. Mas no verão, os ciclones vindo do norte trazem ondas para os picos que so funcionam com ondulação de norte. Apesar de o inverno ser a melhor aposta, o verão também não deixa a desejar, mesmo sendo menos constante.
Em termos de tamanho é similar ao Brasil, tendo os picos que quebram as marolas e outros que chegam até os 20 pés. Hoje em dia tem uma galera que faz tow-in.
Qual a qualidade das ondas?
A qualidade das ondas é muito boa. É um mix do Hawaii e Indonésia. Não tem a onda tipo Pipeline, Waimea, Padang Padang – ondas que identificam o lugar. Mas tem ondas com tamanho e perfeição. A onda mais conhecida da ilha é Saint Leu. Uma esquerda longa que rola um tubo perfeito na sessao do segundo bowl. Tem outras ondas que lembram também Desert Point, Off the Wall, e até algumas ondas das ilhas Mentawai. Resumindo, as bancadas ao redor ilha proporcionam alta qualidade de ondas.
E os tubarões?
Já ouvi várias histórias, mas as pessoas procuram não falar muito pois vamos estar na água de qualquer maneira. Basta respeitar as regras que são: não usar bermudas ou pranchas com cores vivas, objetos brilhantes, não surfar no horário que eles saem para caçar (de manhã cedo ou no final de tarde apos o pôr do sol), evitar surfar sozinho e apos a chuva onde tenha saída do rio para o mar.
Com relação aos ataques, o ultimo foi ha 4 ano atrás. Mas respeitando as regras, os surfistas continuam surfando. De acordo com as estatísticas 100 pessoas morrem em acidente de carro, 25 afogados e 1 por ataque de tubarão, por ano. Entre 1980 e 2004 aconteceram 24 ataques, sendo 12 fatais. Desses 24 ataques, apenas 7 eram surfistas. As outras as vitimas foram nadadores, mergulhadores e windsurfistas.
No flat, o que mais tem para fazer?
As varias cachoeiras são uma boa pedida. Também uma caminhada na montanha para refrescar e curtir o visual, ou até mesmo uma volta ao redor da ilha, que é possível ser feita em um dia. A diversidade étnica e cultural é a principal característica da Reunião o que faz do rolé ser bem interessante. O mercado de artesanatos em Saint Pierre é outra pedida.
Cirque de Mafate, uma caldeira onde no passado foi o campo de refugio dos escravos que escaparam do trabalho forçado, e que hoje em dia é o campo de refugio da vida cotidiana. O difícil acesso é o desafio, pois so existem apenas duas maneiras para chegar, a pé ou de helicóptero. Mas é o roteiro de muitos turistas que chegam na ilha.
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